O Budismo e a vida de Buda

O Budismo é uma religião/filosofia repleta de ensinamentos e termos específicos. Para a compreendermos é necessário que tenhamos conhecimento prévio sobre eles. Entretanto, antes de entramos no tema de modo mais específico, que trarei nos próximos textos, é necessária a compreensão do por que para uns o budismo é religião e para outros uma filosofia, e conhecer a vida do atual Buda histórico, o Sakyamuni (Śākyamuni ou Shajyamuni).

Há quem procure enfatizar e apresentar um enfoque não religioso do budismo com o objetivo de desvinculá-lo da noção de religião. O budismo tem como características importantes promover a análise crítica de suas próprias doutrinas, buscando a demonstração empírica e conclusão racional. Porém, ele está permeado por noções e elementos que são fortemente considerados religiosos, como reencarnação e fé. Por não ser teísta, diferente de todas as demais religiões, o budismo não é considerado uma religião por alguns e sim uma filosofia.

A palavra filosofia é formada por duas palavras gregas filo, que significa amor e sofia, que significa sabedoria. Deste modo, podemos dizer que filosofia é amor à sabedoria ou amor e sabedoria, sendo que ambos os significados descrevem o budismo perfeitamente, pois ele nos ensina a maneira como podemos desenvolver o potencial de nossa mente para que possamos alcançar o entendimento da realidade com clareza, mas também prega o desenvolvimento do amor e da bondade por todos os seres.

Entretanto, se olharmos de modo mais profundo, é desnecessária essa definição se é religião ou filosofia, uma vez que o budismo se nomeia como “Dharma de Buda”, ou seja, o ensinamento daquele que vê a realidade como ela é.

Agora vamos conhecer mais sobre o atual Buda histórico, o Sakyamuni. Porque Buda histórico? Primeiro ponto fundamental é saber que Buda não é um nome e sim um título que significa “aquele que sabe a verdade”. Refere-se a alguém que tenha alcançado a iluminação ou despertado por conta própria, ou seja, alcançou o nirvana, um nível superior de entendimento e deste modo não passará mais pelo ciclo dos nascimentos e mortes (samsara). Desta forma, ao longo da história do budismo houve diversos budas, antes de Buda Sakyamuni e haverá outros no futuro. Sua importância histórica deve-se ao fato dele ter sido o fundador do budismo. Ele é tido como a personificação da grande compaixão.

Os budistas acreditam que o próximo Buda será Maitreya (do sânscrito maitri, “amistosidade”) que será o responsável por renovar o atual ciclo iniciado por Sakyamuni. Estes ciclos se renovam quando os ensinamentos do Buda são esquecidos neste mundo. Maitreya está associada ao início de uma nova era onde o mundo será transformado em um paraíso.

Voltemos ao Buda Sakyamuni. Na encosta sul do Himalaia, ao longo do rio Rohini, havia uma tribo chamada de Sakya, governada pelo Rei Shuddhodana Gautama. Durante 20 anos o rei e sua esposa, Maya não tiveram filhos. Entretanto, em uma noite a rainha ficou grávida após sonhar com um elefante branco que entrou em seu ventre pela axila direita. O rei e o povo ficaram muito felizes com a notícia e esperaram ansiosamente o nascimento do príncipe. Conforme a tradição daquela época, a rainha voltou à casa paterna para dar a luz, porém, no meio do caminho ela parou para repousar em um lindo jardim. Maravilhada com as flores de Asoka, a rainha estendeu o braço direito para apanhar um ramo quando de repente deu à luz ao príncipe. Céu e terra se regozijaram com o nascimento. Era dia 8 de abril, 560 aC.

Sentindo uma profunda alegria, o rei chamou seu filho de Siddartha, que significa “todos os desejos cumpridos”.  Pouco tempo após o nascimento de Siddartha, a rainha Maya faleceu repentinamente, tomando de profunda tristeza o rei e todo o reino. O príncipe foi criado por Mahaprajapati, irmã mais nova da rainha.

Certo dia, um ermitão chamado Asita dirigiu-se até o palácio após ver um brilho ao redor do castelo, o que julgou ser um bom presságio. Ao conhecer o príncipe, o ermitão disse que caso o príncipe permanecesse no palácio após a juventude, ele se tornaria um grande rei e governaria todo o mundo. Porém, se ele abandonasse a vida palaciana e abraçasse a vida religiosa, seria um Buda, o salvador do mundo.

A princípio o rei ficou feliz com a profecia, porém, com o tempo passou a temer que seu único filho se tornasse um monge. Ao notar que o príncipe possuía pensamentos profundos sobre a existência, o rei tentou por todos os meios divertir seu filho e fazer com que seus pensamentos fossem para outras direções.

Ao completar 19 anos o rei arranjou um casamento para Siddartha com a princesa Yashodhara, sua prima, filha do irmão da falecida rainha Maya. Durante dez anos a vida do príncipe foi repleta de prazeres, música, festas, porém, sua mente continuava a questionar sobre o verdadeiro significado da vida humana.

Os pensamentos continuaram a atormentar a mente do príncipe até o nascimento de seu único filho, Rahula. Este acontecimento fez com que Siddartha abandonasse o castelo acompanhado de seu único criado atrás das respostas para sua inquietude mental.

Durante sua caminhada, muitos demônios o tentaram a retornar ao castelo, porém Siddartha soube silenciá-los, pois sabia que nada mundano jamais traria satisfação. Assim, raspou a cabeça e tornou-se um monge mendicante.

Primeiramente, Siddartha visitou três eremitas para aprender sobre práticas ascéticas e meditação. Porém, depois de praticar os ensinamentos com estes eremitas, convenceu-se que eles não poderiam conduzi-lo à iluminação. Decidiu praticar ascetismo de modo severo na floresta de Uruvela por seis anos. Durante este período, Siddartha teve cinco companheiros que o abandonaram assim que o príncipe aceitou uma xícara de leite após concluir que não havia conseguido atingir seus objetivos mesmo após as práticas. Estes companheiros viram esse ato como algo inaceitável e julgaram-no como degenerado, deixando-o à própria sorte.

Sozinho, o príncipe mesmo bastante debilitado decidiu realizar um novo período de meditação. Foi uma luta intensa! Sua mente confusa abrigou diversos pensamentos desesperados, o assédio dos demônios era intenso! Porém, de modo muito paciente e cuidadoso, Siddartha superou-os. Esta batalha foi tão intensa que Siddartha foi ao chão fraco, desnutrido e quase sem vida. Neste momento a estrela d’alva desapontou no oriente e mostrou que a luta do príncipe havia terminado. Sua mente ficou tão clara quanto o sol e ele finalmente encontrou o caminho da iluminação. Era dia 8 de dezembro e Siddartha estava com 35 anos. A partir desse momento, o príncipe passou a ser conhecido como Buda, o perfeitamente iluminado; por Sakyamuni, o sábio do clã Sakya ou por outros como o sábio do mundo.

Os primeiros discípulos do Buda Sakyamuni foram os cinco monges que o abandonaram após os seis anos na floresta. A princípio eles o evitaram, porém, após conversarem puderam ter certeza que se tratava de um Buda e passaram a segui-lo. Com o passar do tempo muitos se tornaram seguidores e fiéis, até mesmo seu pai, o rei Shuddhodana, que se tornou seu mais fiel discípulo.

Durante 45 anos Buda percorreu o país disseminando seus ensinamentos. Aos oitenta anos de idade, Buda ficou muito doente e previu sua morte dentro de três meses. Mesmo doente, bastante fraco e sofrendo, ele prosseguiu viagem até chegar à floresta de Kusinagara, onde continuou a ministrar seus ensinamentos de modo dedicado até seu último momento. Tranquilo por cumprir sua missão, o mais amável dos homens adentrou o almejado Nirvana.

O corpo de Siddartha foi cremado em Kusinagara por seus amigos seguindo a orientação de seu discípulo favorito, Ananda. As cinzas foram repartidas entre oito países.

Buda deixou 84 mil ensinamentos, sendo que cada um deles se refere a uma doença causada pelos três principais venenos da mente: ignorância, apego e raiva. Para o budismo, todos os seres tem natureza iluminada, porém, não conseguimos percebê-la devido os obscurecimentos mentais decorrentes dos sofrimentos provocados por estes venenos, pela mente não controlada e por ações ruins.

Que nossas mentes sejam livres dos venenos e que nossas ações sejam corretas!

 

Tashi Delek! (Cumprimento tibetano que significa “que tudo seja auspicioso”).

Artigo por Ana Caroline Nonato. 

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