Queridos irmãos,

Se algum dia se perguntarem se estão seguindo o caminho correto em direção à evolução, questionem-se em seguida se o caminho que traçaram em suas vidas percorreu alguma zona de conforto, se percorreu algum semáforo de trânsito onde pessoas foram ignoradas, se percorreu alguma localidade de baixo poder aquisitivo, onde há uma comunidade precisando de ajuda e nenhuma oração foi oferecida e direcionada àquelas pessoas que lá habitam. Perguntem-se se algo de bom ainda pode ser realizado a esses cidadãos necessitados e se está ao seu alcance ajudá-los de algum modo.

Muitos estão nessa vida por escolha (pré-encarnatória). E muitos mantém-se nessa vida por escolha (pós-encarnatória).

De que modo seria possível aliviar-lhes as provações, oferecendo-lhes um mínimo de dignidade? Pensem, meus irmãos, o que podem oferecer a esses seres desolados que muitas vezes sujeitam-se às formas primitivas de sobrevivência, apenas por medo de realizarem uma mudança em suas vidas e de proporcionarem a si mesmos a chance que tanto querem merecer.

Muitos deles desejam morar em mansões e dizem-se injustiçados e marginalizados por terem nascido pobres, fadados a morrerem pobres e sem quaisquer recursos para sobreviverem em condições mais dignas de uma vida de paz. Mas muitas dessas pessoas nem mesmo agradecem de coração uma boa ação ofertada por um irmão mais abastado. Dizem a si mesmos em pensamento “não fazem mais que a obrigação”, pelo fato daquele possuir algum recurso financeiro e se dispor a ajudar.

Vejam, caros irmãos, os dois lados da moeda. Aquele que ajuda e aquele que recebe.

Aquele que ajuda o faz assim para merecer os céus, contribuindo por obrigação, já que se não contribuir não será merecedor de uma cadeira no reino de Deus, visto que não praticou a caridade para com o próximo. E aquele que nada tem, recebe a esmola como um benefício doado, onde o doador não fez mais do que a obrigação após ter batalhado na vida e sido merecedor daquele valor conquistado.

Em ambos os casos, meus irmãos, a caridade está na compreensão do ponto de vista do outro e no aprendizado que se tira desta lição. Aquele que doa deve doar ciente de que não se trata de uma obrigação, mas de uma forma de contribuir positivamente para que uma alma necessitada receba uma oportunidade (tão solicitada a Deus) de receber alimento para sobreviver mais um dia. É a Lei divina do amor sendo aplicada e a Lei da atração. Já a lição do pobre recebedor da esmola está em entender que a esmola recebida trata-se de uma oportunidade de fortalecer sua autoestima e motivação para igualar-se em coragem com o irmão batalhador, buscando melhorar-se e buscando fazer-se merecedor de oportunidades de emprego e reconhecimento social pelo seu próprio esforço, a fim de sair daquela situação desesperadora. Testa-se aqui a capacidade do espírito em agradecer a Deus pela aplicação da Lei do amor e pela oportunidade de retificação e perdão pelas dívidas do passado, cabendo ao espírito pobre acolher a ajuda com gratidão, emanar bons fluidos ao doador e fazer uso racional e bem empregado da quantia recebida, seja ela qual for, materializada da maneira que for.

Temos aqui dois ensinamentos fundamentais de serem entendidos. Não cabe a vocês questionarem os meios pelos quais Deus se utiliza para dar os ensinamentos, posto que vocês mesmos já passaram por momentos de dificuldade em algum momento de suas vidas atuais ou anteriores. Cabe aceitar que tudo aquilo que plantamos nós colhemos. E muitas vezes colhemos frutos amargos, como forma de sentirmos na pele as amarguras que causamos. Mas, caros irmãos, a decisão de nos mantermos na amargura é unicamente nossa. Deus dá a oportunidade de melhora e crescimento. O espírito é quem decide permanecer na condição em que está ou promover a mudança na própria vida.

Não cabe aqui, portanto, questionar Deus por tê-lo metido em uma enrascada. Cabe mostrar-se merecedor, por si mesmo, e para si mesmo, de um futuro digno, conforme sua condição mental lhe permite.

A vida nada mais é do que um experimento para os espíritos que nela se encontram. Aproveitar essa oportunidade é a melhor forma de reparar as práticas desajustadas cometidas no passado e fazer-se um novo ser, para si mesmo, diante de uma eterna evolução, até tornarem-se uma consciência cósmica merecedora da plena liberdade de consciência. A consciência universal dos fatos.

Os desígnios de Deus são incontestáveis. Cabe a nós interpretá-los.

Lembrem-se: nenhum ser é digno de pena. Mas todo ser, seja encarnado ou desencarnado, é digno de compreensão, auxílio e respeito, pois são unidades divinas, em igual patamar de constituição, porém em diferente estágio de evolução. Dar ciência aos seres encarnados de que esse é o mecanismo empregado por Deus, é descortinar mais uma parte do véu que encobre a realidade e que os impede de ver, ouvir e agir adequadamente em um mundo que apenas vos experimenta em suas mais diversas capacidades, conhecimentos e aprendizados já absorvidos. Cabe a vocês mostrarem-se conhecedores, dignos e agradecidos a praticarem o conhecimento adquirido.

Fiquem em paz.

Autor: Mensagem do Espírito das Luzes
Local e Data: São Paulo, 24/08/2016
Canal: Fernando

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